Boas André.

Quanto à inveja e espero que para acabar com esse tópico. Duvido que exista muita. Na realidade há pessoas a fazerem acupunctura há mais tempo que o Sr. Pedro Choy em Portugal e se quisessem tinham muitas escolas e muitas clínicas. Mais uma vez te peço para não descontextualizares as afirmações que eu faço. Quando falei das clínicas do Sr. Pedro Choy também falei das escolas e foi no contexto de tentar compreender a razão que o levava a ter um comportamento estranho que não demonstrou publicamente durante todo o processo. É possível, evidentemente, que esteja errado.

Quanto aos programas espero estarmos conversados. Quanto às clínicas deixo aqui o excerto de texto de forma a que não possa ser descontextualizado.
“Outro aspecto importante característico do lascismo profissional do Sr. Pedro Choy é a defesa do reconhecimento de todas as escolas do sector. Uma coisa é a regulamentação, outra diferente é o reconhecimento das escolas que devem obedecer ao curso base definido pela comissão.
Talvez no fundo seja daí que advêm todo este diferendo. Será que tudo isto não é mais que uma manobra do Sr. Pedro Choy para poder manter em funcionamento cursos de fim de semana que, manifestamente, são academicamente pobres apesar de financeiramente rentáveis? Será que no fundo isto não será uma manobra de conseguir manter um esquema que permite fingir dar uma formação às pessoas de modo a manter o funcionamento das suas clínicas privadas? ”

Este texto também estava relacionado com a chamada problemática representatividade.
Quanto à pressão: o Sr. Pedro Choy veio afirmar publicamente que não se sentia representado pelo actual representante e que ele tinha sido imposto. No entanto depois viemos a descobrir que afinal ele não fora imposto e que o Sr. Pedro Choy inclusivamente teve presente na sua eleição e votou nele como demonstra a sua assinatura na acta de eleição.

Agora foi sujeito a pressões? Explique-me como o Prof. Imperatori o obrigou a assinar num representante que ele não queria aceitar? Explique-me porque demorou 3 anos a vir a público protestar? Explique-me porque, enquanto tudo parecia estar bem, a APA-DA não se fez representar e recusou participar no processo (que alguns de vocês nem tinham sido informados correctamente como se depreende por outros textos). Explique-me porque é que a representante da MTC na OMS pensava, após um reunião da OMS em Lisboa, que o representante da acupunctura em Portugal era o Sr. Pedro Choy. E depois explique-me como é que ele está a ser a vítima no meio deste processo todo. Já agora elucide-nos sobre as pressões que o Sr. Pedro Choy e os outros membros foram expostos (comissão inclusive).

A minha mesquinhice, aparentemente, está expressa neste textos:
“Caso contrário onde vai ele buscar o dinheiro das 3 escolas de fim de semana e onde vai ele buscar terapeutas para todas as suas clínicas? Mais uma vez pergunto onde fica a credibilidade da classe profissional e a solidez da nossa profissão nestas condições? Este é um problema que eu desenvolvi no meu texto e creio que é o problema base.”
Mais uma vez peço para contextualizar esta mesquinhice. Este texto surge em consequência da defesa, por parte do Sr. Pedro Choy, de que todos deveriam ser aceites imediatamente e todas as escolas aceites. Face a isto eu afirmei que:
1 – aceitar todas as escolas do sector seria um erro. Cursos de fim de semana não dão a formação adequada teórica nem prática. Pense no que disse sobre os cursos de medicina, radiologia, enfermagem, medicina nuclear, etc…. Isto pode colocar a nossa autonomia profissional e a credibilidade da profissão em risco (algo certamente mesquinho).
2 – levantei também a questão de saber então qual a lógica da regulamentação. Há uns anos falava-se da regulamentação para separar o trigo do joio e para garantir que quem exercia sabia o que fazia. Falava-se do problema de existirem imensas pessoas a exercer sem terem formação para tal. E agora aceita-se toda a gente? Onde está a coerência dos argumentos? (outro problema mesquinho que, parece, não me respondeu).
Em conclusão e face a este diferendo questionei, no texto, se os verdadeiros motivos do Sr. Pedro Choy para fazer a defesa destas alterações não seriam mais económicos que profissionais, tal como já foi exposto num texto acima. Sem dúvida que este pressuposto colocado neste contexto é mesquinho e errado.

Relativamente à matemática básica desta mesquinhez, que nada tem a ver com o que foi escrito acima, devo dizer que não há números negativos (são abstrações matemáticas). Antes da APA-DA existir já existiam praticantes de acupunctura em Portugal. Antes do Sr. Pedro Choy começar a aparecer em Programas de televisão já existiam profissionais credíveis na área. Eu sei que não gosta da resposta apresentada na APAMTC pela mão do presidente de mesa. E sei que não gosta das evocações do 25 de Abril. Mas na carta está bem expresso que essa matemática mesquinha não está totalmente certa.
Se calhar falávamos de meta-matemática, e permite-me agora esta pequena divagação. Escreveste:
Sugiro que tu e o Sr. que escreveu a tal "resposta" a uma "não-resposta/não-pergunta" façam a matemática básica dessa mesquinhez. Número de licenciados pela APA-DA (-) (Numero de profissionais de MTC formados pela APA-DA por clinica (*) numero de clínicas). Depois subtrai o número de profissionais que já tinham formação antes sequer de existir a APA-DA e terás um número negativo giro e passível de eventualmente acabar com esses pressupostos erróneos e ridículos.
Repara que se eu subtrair todos os licenciados da APA-DA e acabar com o número negativo então estou a chamar ao Sr. Pedro Choy um número negativo. Na realidade antes da APA-DA existia o seu fundador. Logo não poderiam existir número negativos mas somente um número inteiro. Isto partindo do princípio que a origem dos tempos em Portugal começa com o Sr. Pedro Choy. Podes concluir, se quiseres, que a APA-DA foi fundada por um número negativo. Isso faria de mim o quê? Um Pitagórico?

Espero que não tenhas levado a mal esta pequena brincadeira. Sugiro que no futuro deixemos de lado a matemática básica mesquinha e os teoremas metamatemáticos.
Nesta resposta também está presente, apesar de meio camuflado, o discurso da representatividade. Já o discuti anteriormente e não vou perder mais tempo com ele nesta resposta.
Quanto aos cursos: esta sim, é uma conversa paralela, mas que acaba por ter importância. Não me considero superior a ninguém. E mais uma vez digo que não tenho dúvidas que existem bons profissionais na APA-DA. Acho que já escrevi bastante sobre isto e se queres ir por aí aconselho então a fazeres a transcrição completa do que escrevi.

Quanto ao desconhecimento do curso da APA-DA, tens razão. Eu desconheço totalmente a APA-DA e não sei do que estou a falar. Portanto vou deixar que sejam alunos da APA-DA a falar por mim. Aqui vão excertos de textos de conversas que tive com outras pessoas noutros fóruns:
“Olá, sou aluno do 2º ano da APA-DA e estou a adorar o Curso. É verdade sim que a frequência das aulas deveria ser maior e com mais componente prática, no entanto a matéria é dada de uma forma fácil de interiorizar, ”
“A apa-da resulta para quem é bastante auto-disciplinado e auto-didacta, pois só há 2 aulas por mes, ou seja um final de semana por mes, o que significa muito trabalho em casa, o que é bom para quem gosta de flexibilidade de horarios, e péssimo para quem tem menos facilidade em se auto-organizar.
As turmas sao enormes,, este ano fui ao primeiro dia de aulas, e assustei-me com as mais de 500 ou 600 pessoas presentes, mas ao que parece haviam muitos ex-alunos também a assistir.
Para que nao te iludas, o numero de desistencias é aterrador. Em turmas de duzentos, terminam 30 (se tanto), por isso a importancia da auto-disciplina. Acho que o curso é fraco, por isso terás que correr atraz de mais informaçao por ti proprio. ”
“Mas quero acrescentar, que apesar das poucas aulas, ao longo do ano, acontecem vários/muitos Seminários e muitas Formações, promovidas pela própria APA-DA, que servem de alguma forma como reforço às aulas.
Estes são pagos pelo aluno como formação extra curricular. A média de custo de cada seminário, ronda os 20/30 euros(há seminarios dois dias=20euros).
As turmas são em média constituidas por + ou - 100 alunos. Claro, que há desistências e chumbos tb.... a cada ano as turmas devem ir "mirrando" lol.
Pela primeira vez, a APA-DA, iniciou a chamada "prática clinica" que consiste em fazer-se um tratamento - a pelo menos um paciente- por ano-que constitui o "estágio".
Eu, de uma forma genérica, estou a gostar do curso. ”
Em 2006 a APA-DA de acordo com um aluno iniciou o estágio clínico que consiste no tratamento de pelo menos um caso. Impressionante. E em 2005? E em 2005? E em 2003? Etc… Além do mais um caso é absolutamente excepcional. Tenho alunos que no 3º ano chegam a ver 80 casos. Mas enfim eu não sei do que falo. Deixo agora a sequência de uma conversa de alunos da APA-DA sobre o tema com algumas contribuições de outras pessoas:
1º - “Alguém que me possa "situar". Ouvi dizer, relativamente à apa-da «"OBRIGAR cada aluno a tratar, em cada ano lectivo, pelo menos um doente, a qual contará para a nota final do respectivo ano.. numa das clinicas do Dr.Pedro Choy ou dos seus assistentes... o "doente" paga consulta inicial, um tratamento e uma consulta de revisão.........
...e, a isto chamam de: obtenção de treino clinico Prático.
agradecia que colega /alunos da apa-da podessem partilhar opinião sobre este assunto...”
2º - “Olá, se não concordas com a iniciativa, tens sempre a alternativa de ires fazer voluntariado para o PAS, o que no 2º ano até me parece preferível uma vez que, como ainda não tens bases de diagnóstico, não ganhas nada em fazeres o sistema da consulta porque o que te interessa agora é aprenderes a "picar", a fazer moxa, etc, o que conseguirás no PAS.
Para além disso, como é voluntariado, ninguém ganha dinheiro com isso, o que deve diminuir a tua revolta.
Não é que não compreenda a tua posição, mas também já consegui compreender a da Apa-da. Para mim, que estou no 4º ano, só tenho a ganhar em poder fazer um diagnóstico a um caso real, poder discuti-lo com um profissional... A não ser que se tenha conhecimentos no meio, não temos muitas oportunidades de o fazer.
Qualquer coisa, estou à disposição para ajudar.”
3º - “Olá fui aluna da APA-DA e ninguem nos obrigou a fazer nada disso e nem contava para nota.
Era apenas uma das muitas formas de entarmos no mundo real que é bem mais duro que uma simples pratica de estágio.
É obvio que o profissional que nos esta a ajudar teria que ter a sua contribuição e não era só nas clinicas do Dr Pedro Choy, mas sim com quem achassemos que poderiamos contactar na nossa localidade.”
4º - “a propósito deste tema acho igualmente uma estupidez, porque as consultas são pagas ao preço normal, e como se não bastasse ainda somos avaliados!encontrar alguém para fazer de vitima já é praticamente impossivel, todos os colegas que conheço acabaram por levar a mãe ou o pai á consulta, e para os que não querem levar os pais tramam-se como éo meu caso que ainda não começei o caso clinico... e porquê? bem certamente não era eu que metia o meu corpinho nas mãos de uma pessoa que não tem o curso... mesmo que o aluno me pagasse as consultas, como já me aconteçeu...bem agora das duas 1 ou eu sou mesmo muito mau ou então não sei... mas também se cheguei onde cheguei é porque não devo ser assim tão mau...quer dizer pagar ao paciente para o tratar? sinceramente acho uma estupidez.
concordo com a ideia, mas se quisessem fazer as coisas bem feitas, punham as consultas de graça! cativavam mais os alunos, e até difundiam mais a mtc! agora propinas, livros, viagens e ainda pagar as consultas? aí está muito dinheiro!”
Se o que está aqui escrito ainda não bastar posso dizer-te que tenho colegas que também estiveram na APA-DA durante uns tempos. Até lá pensa em como explicar quais as condições para as aulas práticas nos hotéis onde são dadas as aulas. Também aconselhava a não entrares mais por este assunto nos próximos textos.
Continuamos com a falácia argumentativa? De matemática pura passamos para sociologia pura? Aconselho a leitura atenta do QI e do BI. Pelo que percebi é que temos pontos de vista diferentes: aquilo que chamas o fim eu chamo o início e vice-versa.
Relativamente à data do seu nascimento não faço ideia. Mas não creio que tenha sido ontem.
O segredo para se compreender essa frase está na certificação por equiparação. Aconselho um estudo aprofundado dessa matéria. Sabe o que quer dizer? Se soubesse, saberia que eles tem limite e quando eles acabarem acaba a comissão. Aconselho o estudo atento de: certificação por equiparação, aconselho também a leitura atenta de algumas respostas sobre a formação desta comissão e a sua manutenção. De qualquer forma se não tiver para estar com este trabalho aconselho a sua presença na reunião de esclarecimento público que vai haver.
Para terminar um pouco de democracia. Democracia não é só poder decisório. Na realidade essa ideia vem do sufrágio universal. E o sufrágio universal é assente na liberdade de expressão (ódio não incluído). Esta é a base da democracia em termos de vida social. Mas o seu segredo não está somente na liberdade de expressão mas principalmente no conhecimento. Saber do que se fala. Por isto estas discussões são tão boas. Dá para trocar impressões e aprender mais um pouco sobre os diferentes pontos de vista. Isto é a verdadeira democracia. Creio eu.

Abraço
Nuno Lemos