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Autor Tópico: O meu labrador faz acupunctura  (Lida 780 vezes)

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O meu labrador faz acupunctura
« em: Maio 18, 2009, 11:39:29 »
Cães com stress ou gatos com dor de cabeça? A medicina alternativa é a solução para o seu animal de estimação


Pode não ser uma imagem consensual - pode até causar alguma impressão aos mais sensíveis ou estranheza aos mais cépticos -, mas o resultado das medicinas alternativas nos animais domésticos é surpreendente: é possível, por exemplo, tratar um tumor, desde que as agulhas sejam aplicadas no sítio certo.

"Havia muitas lacunas nos tratamentos convencionais, em casos aparentemente sem solução", justifica a veterinária Dinora Xavier que, aos poucos, foi trocando a terapêutica académica pela holística ou alternativa. "Basta ver a esperança média de vida. Antigamente, os animais viviam 17 ou 18 anos. Hoje, com 10 ou 11 anos já são velhos."

Remédio santo Sempre que visita um paciente, Dinora Xavier não dispensa a sua mala vermelha. "É praticamente igual à dos primeiros socorros." Mas com uma grande diferença: em vez dos tradicionais antibióticos, a veterinária de 33 anos guarda, entre outras coisas, agulhas de acupunctura.

O tratamento com base nas medicinas alternativas - seja através da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) ou da homeopatia - distingue-se logo no diagnóstico, que não se limita à observação das patologias do animal. "É um diagnóstico energético, tem em conta os hábitos de vida do animal. Além disso, convém perceber o tipo de família, a personalidade dos donos, as condições económicas, que atenção e disponibilidade têm para o animal, a alimentação que lhe dão." A veterinária holística, sustenta a médica, "consiste em analisar os animais no seu contexto, como um todo".

Daí que Dinora Xavier tenha optado pelas visitas ao domicílio em vez de um consultório aberto ao público. "Em casa, o comportamento dos animais é natural, e isso faz parte deste tipo de terapia", explica.

Outra das características do tratamento é a redução de químicos. A questão não é unânime: há quem recorra a fármacos e use a medicina holística e a MTC como complemento, outros evitam-nos, utilizando-os apenas em último caso. À excepção da vacina contra a raiva, que é obrigatória todos os anos, Dinora Xavier desaconselha outras injecções: "Só se deve fazer a vacinação normal dos cachorrinhos. O excesso de químicos é uma das causas da morte prematura de muitos animais domésticos." O segredo para uma vida longa, acrescenta, "está na alimentação e no trato".

"Uma caixa de dez vacinas, que numa clínica convencional dura uma semana, chega-me para um ano", conta a médica, garantindo ser possível tratar certos tumores sem remédios nem intervenção cirúrgica: "Através da acupunctura, conseguimos regredi-lo até ficar circunscrito."

Agulhas e cavalos Embalados pelo cheiro a eucalipto e perdidos nas paisagens bucólicas da Serra de Sintra, acabámos por descobrir o "Casal da Bela Vista", quinta onde Julie Hartmann cuida de cavalos desportivos em recuperação. "Essencialmente problemas de locomoção", explica a alemã que vive em Portugal há seis anos, onde criou um centro de reabilitação equestre.

Ali, o recurso à MTC e à veterinária holística não é tudo, mas dá uma grande ajuda quando nada mais funciona. "O diagnóstico é sempre feito por um veterinário", explica. "Quando não é possível identificar o problema, recorremos à acupunctura."

Mas não só: "Cada caso é analisado individualmente e mediante o diagnóstico escolhemos o melhor tratamento, seja acupunctura, homeopatia, osteopatia ou fitoterapia." Normalmente, quando usa a acupunctura, Julie não aplica mais do que cinco agulhas. Sempre que o animal não permite, é habitual recorrer ao laser, muito utilizado para as cicatrizações.

Ponto final Segundo a MTC, os pontos de acupunctura são afloramentos à superfície de nervos vitais. "Cada um desses pontos (acupontos) organiza-se em meridianos, as vias por onde circula a energia vital", explica a veterinária Someia Umarji. "Ao estimular um ponto à superfície, dá-se um efeito regulador interno", acrescenta.

Na sua clínica, em Fernão Ferro, uma das primeiras preocupações é "decifrar o elemento do cão ou gato", que a veterinária descobre através das suas pulsações. Mais do que a idade ou a raça, "é importante saber se um cão é de fogo, água ou terra, porque isso permite-nos perceber a sua personalidade e propensão para certas doenças". Os animais de terra, por exemplo, são mais sociáveis do que os de madeira, habitualmente mais inteligentes e teimosos.

Someia Umarji utiliza ainda outras variantes da medicina tradicional chinesa. A fitoterapia, refere, "utiliza-se muito em cães mais agressivos, porque é arriscado aplicar agulhas, e é feita com base em plantas medicinais, aplicada sob comprimidos ou gotas".

Contactos:

Dinora Xavier
Morada: Só faz domicílios
Contacto: 961 297 119

Julie Hartmann
Morada Colares, Sintra
Contacto 219 281 093

Someia Umarji
Morada: Fernão Ferro, Seixal
Contacto: 212 124 718

Doenças que se tratam com agulhas:

Patologias dos músculos Luxações, problemas de ossos e artrites são doenças comuns nos animais domésticos. Habitualmente, o tratamento obriga a intervenções cirúrgicas, mas nos casos crónicos a patologia pode ser tratada apenas com recurso à acupunctura. Bastam três ou quatro sessões.

Doenças neurológicas As mais comuns são as paralisias e as hérnias discais. Provocam dores localizadas no animal, pelo que a acupunctura é feita nos pontos à distância. Uma dor de cabeça pode ser tratada nos acupontos do pé, desde que a agulha esteja no meridiano correcto. No caso das hérnias discais, o tratamento pode obrigar a uma sessão por mês, durante meio ano.

Doenças de pele Nas doenças dermatológicas, o tratamento é feito através da injecção de sangue do próprio animal nos pontos de acupunctura. Produz bons resultados em animais com problemas de sarna e com o sistema imunitário muito debilitado.

Stress A ausência do dono ou a chegada de um novo elemento ao seio familiar provocam distúrbios psicológicos que resultam quase sempre na auto- mutilação, como lamber as patas até fazer ferida. Convencionalmente são tratados com drogas, mas na medicina holística a fitoterapia ou a acupunctura são suficientes.

Intestinos As diarreias em cães ou gatos podem ser tratadas através da electro-acupunctura ou de acupunctura simples. Embora em certos casos o antibiótico seja inevitável, a estimulação de alguns pontos específicos é suficiente para que o animal reaja, controlando os vómitos e o trânsito intestinal.

Tumores Há casos em que remover é a única solução. Mas se o tumor for descoberto numa fase inicial, a acupunctura pode evitar a intervenção cirúrgica. Através da estimulação das defesas, é possível diminuir o tamanho e impedir a sua evolução.


- Notícia retirada - Jornal i, 18.05.2009 - Edição Online -

http://www.ionline.pt/conteudo/4748-o-meu-labrador-faz-acupunctura

 
" Na Vida é preciso esvaziar o coração e encher a barriga "

 

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