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Autor Tópico: Alguns hospitais públicos já têm consultas de acupunctura  (Lida 2561 vezes)

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Offline Diana

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No passado dia 11 de Abril, o Jornal Público publicou um artigo sobre a Acupunctura em Portugal. Aqui fica:


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Médicos "alternativos" dizem que há cada vez mais abertura a terapêuticas não convencionais. Mas a falta de regulação ainda é um problema


Chegaram a ser olhados "com desprezo", a ser alvo de comentários pouco abonatórios e a ser tratados como "marginais" pelos colegas. Continuam a ser poucos os médicos que incluem na sua prática clínica terapêuticas não convencionais como a acupunctura, a homeopatia, a fitoterapia, mas dizem que há cada vez mais abertura da classe médica.

Sinal de que os tempos mudaram e que "o ostracismo brutal" a que eram votados acabou é o facto de uma médica de família como Cristina Sales ter cada vez mais como clientes "médicos e as suas famílias". Na sua clínica, no Porto, ela junta à medicina convencional métodos como a acupunctura, a homeopatia e a osteopatia.

Apesar da quase ausência de conteúdos destes métodos nas faculdades de medicina portuguesas há, por parte dos colegas, cada vez mais "interesse e curiosidade, com algumas dúvidas à mistura". Ainda assim, "o número de médicos que usam estas terapêuticas é infinitamente pequeno. Conhecemo-nos todos de cursos e seminários". Por isso, considera que Portugal é o país da Europa que está "mais longe da integração na medicina de terapêuticas complementares", talvez "porque a sociedade é pouco permeável a ideias novas".
Para Cristina Sales, é preciso integrar outras "opções terapêuticas além da química", notando que países mais desenvolvidos já chegaram a essa conclusão e dá o exemplo da famosa clínica Mayo, nos Estados Unidos, que abriu em 2001 um departamento de medicina integrativa que inclui homeopatia, fitoterapia, osteopatia, relaxamento, numa resposta à procura crescente dos doentes.

Em Portugal, "a acupunctura foi a primeira desbloqueada", comenta Élio Paulino Pereira, ortopedista que integra a homeopatia na sua prática clínica, nomeadamente para dores osteoarticulares. Das seis terapêuticas não convencionais reconhecidas pela lei portuguesa - acupunctura, quiropráxia, naturopatia, fitoterapia, homeopatia e osteopatia -, só a primeira é reconhecida como "competência médica" pela Ordem dos Médicos, desde 2002.

O médico, que exerce no Hospital Ortopédico Doutor José d'Almeida (Cascais), diz que "a homeopatia ainda é encarada com resistências. Há mais colegas abertos, mas demora tempo a abrir mentalidades", nota o clínico, que fez um estágio prático em França, onde a homeopatia faz parte do sistema público de saúde. Os doentes procuram-no porque ele junta a abordagem convencional à "não convencional". O maior desafio é a explicação científica. "Como explicar que se dá substâncias como o enxofre ou o ouro em doses muito diluídas com efeitos terapêuticos?"


Marginalização vai longe

Longe vai o tempo em que se chegou a sentir "marginal pelos colegas", refere Helena Ferreira, vice-presidente da Sociedade Portuguesa Médica de Acupunctura. Há duas faculdades de Medicina onde são dados cursos nesta área e o caminho desta terapêutica no campo médico já é longo, refere a médica de família que começou há um ano a dar consultas de acupunctura no Centro de Saúde de Alcântara, em Lisboa. Nos seus doentes, usa a acupunctura sobretudo para a cessação tabágica, dores nas costas, artroses, entre outros problemas. "Tenho muita gente que quer fazer, aqui pagam só a taxa moderadora. As pessoas são muito receptivas e não fazem mais porque é dispendioso [na privada]". "É outra abordagem do corpo humano, que completa a visão muito farmacológica do tempo em que eu aprendi [Medicina]", junta.

A primeira experiência de acupunctura no Sistema Nacional de Saúde aconteceu entre 1983 e 1985 no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa. Hoje em dia, há consulta aberta nos hospitais de Viseu, da Universidade de Coimbra e, no Porto, vai recomeçar brevemente no Santo António e poderá abrir no São João, diz.

A Ordem dos Médicos contabiliza apenas 63 médicos com competência reconhecida em acupunctura, mas "há muitos mais que fizeram cursos e praticam acupunctura sem terem ainda solicitado a competência", afirma Helena Ferreira, reconhecendo que "ainda há grande desconhecimento em relação à técnica, o que leva a alguma desconfiança".

Telma Gonçalves Pereira, médica anestesista e ex-professora de Bioquímica na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, diz que é procurada por "pais que não gostam de ver os filhos a tomar antibiótico mês sim, mês não". Sublinha que a homeopatia, às vezes, pode não substituir os químicos mas pode complementar e pode conseguir-se diminuir a dose do químico.

"Eu, aqui, faço uma misturada", diz a médica, que, no seu consultório privado, em Lisboa, junta à prática clínica a homeopatia e a fitoterapia. Telma nota que muitos doentes, quando vão aos médicos, já recorrem, ao mesmo tempo, a medicinas alternativas. Diz mesmo que "90 por cento dos doentes oncológicos tomam produtos naturais e não o dizem aos médicos. Quando sabem, alguns tratam mal os doentes". O ideal seria que o médico soubesse das duas áreas, defende.

63 é o número de médicos que a Ordem regista como competentes para exercer acupunctura em Portugal



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"Há pessoas com a quarta classe a ver doentes"

Telma Gonçalves Pereira sabe do caso de um estofador de automóveis que se tornou naturopata por ser um ramo mais rentável. "Há pessoas com a quarta classe a ver doentes", alerta a médica anestesista que hoje se dedica sobretudo à homeopatia no seu consultório privado em Lisboa.
"Não é uma questão de classe exacerbada, não é uma questão corporativa", sublinha. "Alguns doentes correm riscos" e é urgente a regulamentação. Fala do exemplo da Alemanha, onde existem terapeutas com carteira profissional e limites de actuação definidos, sabendo a partir de que momento devem mandar os doentes para os médicos convencionais. "Pode-se-lhes pedir responsabilidade. Aqui não! É a barafunda total."
"Já tenho mandado doentes para as urgências do Instituto Português de Oncologia [porque tinham cancro] e andaram a fazer energias e reiki. Está na moda." Ao mesmo tempo, sublinha que as substâncias ditas naturais não são necessariamente inócuas. Lembra-se de um doente que sofria de prisão de ventre e a quem um naturopata aconselhou que tomasse potássio. "O potássio pode fazer paragem cardíaca." "Às vezes, mandam parar medicamentos para a tensão para substituir só por produtos naturais." "Na ervanária, dão cházinho para a prisão de ventre, pode ser cancro. O que eles deveriam dizer e não dizem é: 'Se não melhorar, vá ao médico'."
A médica homeopata diz que podem exercer estes métodos médicos ou então pessoas "com cursos oficializados, com estruturas científicas e abrangentes e fiscalizados".
Helena Ferreira, a médica vice-presidente da Sociedade Portuguesa Médica de Acupunctura, é mais peremptória. Na sua opinião, a acupunctura deve apenas ser exercida por médicos ou por profissionais "com supervisão médica", porque a profissão médica tem regras estritas em relação à publicidade e porque é preciso à mesma fazer "um diagnóstico à moda ocidental, usando meios complementares [análises, exames]". Lembra o caso de uma rapariga que vinha fazer acupunctura porque se queixava de dor nas costas mas na verdade tinha um pneumotórax. Teve que ir para o hospital e esteve internada três semanas. C.G.


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Regulamentação ainda sem data
 
Acupunctura
É um método de detecção, caracterização e tratamento das perturbações do equilíbrio energético do ser humano, utilizando a energia e a rede de meridianos e pontos de acupunctura com o fim de prevenir e tratar as desarmonias energéticas, físicas e psíquicas. Para isso usam-se diferentes técnicas de regulação, de manipulação e de estimulação dos órgãos, vísceras e de meridianos e pontos de acupunctura existentes no organismo humano. A aplicação de agulhas é a técnica mais conhecida, mas existem outras.


Homeopatia
O doente é tratado com doses extremamente pequenas dos agentes que produzem os mesmos sintomas em pessoas saudáveis, quando expostas a quantidades maiores. A droga homeopática é preparada num processo chamado dinamização, que consiste na diluição da substância numa série de passos. Em vez de combater a doença directamente, estas drogas têm por função estimular o corpo a lutar contra a doença.


Osteopatia
Tratamento surgido nos EUA e cujo criador foi Andrew Taylor Still (1828-1917). É um sistema de avaliação e tratamento que visa restabelecer a função das estruturas e sistemas corporais, agindo através da intervenção manual sobre os tecidos (articulações, músculos, ligamentos, cápsulas, vísceras, tecido nervoso, vascular e linfático). Dá realce à integridade estrutural e funcional, com especial relevância ao sistema neuro-músculo-esquelético.


Fitoterapia
Método terapêutico que utiliza as plantas, ou, melhor, a parte activa das plantas. A Organização Mundial de Saúde define a fitoterapia como "aquela que utiliza preparações herbáticas produzidas pela sujeição dos materiais de origem vegetal à extracção, fraccionação, purificação, concentração, ou outros processos físicos ou biológicos". As preparações podem ser produzidas para consumo imediato ou como base para remédios e produtos vegetais.

Naturopatia
É a cura através de métodos naturais, seja através da alimentação, da hidroterapia
(cura com a água), geoerapia
(cura com argila) , fitoterapia
(cura com plantas), entre outras.


Quiroprática ou quiropraxia

Começou nos Estados Unidos, quando o seu fundador, D. D. Palmer (1845- 1914), apresentou a primeira teoria quiroprática ao relacionar a coluna vertebral com o funcionamento do sistema nervoso. Dedica-se ao diagnóstico, tratamento e prevenção das disfunções mecânicas no sistema neuro-músculo-esquelético e os efeitos dessas disfunções na saúde em geral.


Retirado daqui, jornal Público, 11.04.2009, edição online
« Última modificação: Abril 17, 2009, 09:58:43 por Diana »

Offline Andre

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Re: Alguns hospitais públicos já têm consultas de acupunctura
« Responder #1 em: Abril 17, 2009, 23:31:09 »
Pena que tudo na primeira citação apenas contemple a acupunctura médica.

Assim também eu...

Offline Lofamakanda

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Re: Alguns hospitais públicos já têm consultas de acupunctura
« Responder #2 em: Abril 25, 2009, 10:22:55 »
"Helena Ferreira, a médica vice-presidente da Sociedade Portuguesa Médica de Acupunctura, é mais peremptória. Na sua opinião, a acupunctura deve apenas ser exercida por médicos ou por profissionais "com supervisão médica", porque a profissão médica tem regras estritas em relação à publicidade e porque é preciso à mesma fazer "um diagnóstico à moda ocidental, usando meios complementares [análises, exames]". Lembra o caso de uma rapariga que vinha fazer acupunctura porque se queixava de dor nas costas mas na verdade tinha um pneumotórax. Teve que ir para o hospital e esteve internada três semanas. C.G."

Acho curioso a Dra Helena Ferreira sugerir a utilização de meios complementares no diagnostico da acupunctura, visto que foi este mesmo motivo que o governo utilizou como forma de adiar a regulamentação, uma vez que seria muito dispendioso para o Estado que os profissionais da acupunctura utilizassem este tipo de meios complementares.
Quanto o diagnostico "á moda ocidental" resulta em alguns casos, mas nas doenças mais complicadas nao vai resultar, porque a medicina chinesa nao funciona desse modo analitico. Mas a Dra tinha que defender o seu lobby.

De resto concordo com o que os medicos dizem sobre a necessidade da regulamentação. Inclusive julgo ser urgente a mesma.

Um abraço a todos
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