Notícia do DN
Medicina chinesa trata bebés na barriga da mãe Há cada vez mais mulheres grávidas que procuram a medicina tradicional chinesa. Segundo Pedro Choy, presidente da Associação Portuguesa de Acupunctura e Disciplinas Associadas (APADA), o objectivo é favorecer o parto, tornando-o mais rápido e indolor. Mas há casos em que esta medicina é procurada também para tratar o feto ainda na barriga da mãe. É o caso de Bárbara, grávida do terceiro filho, com uma doença genética que afecta os ossos e que se submete a sessões de acupunctura com o médico Nuno Terroia, em Matosinhos.
Bárbara tem de 31 anos e sofre de osteogenesis imperfecta , patologia que se caracteriza por um défice de densidade óssea e provoca osteoporose precoce. O recurso à medicina chinesa visa fortalecer o feto, já que o bebé tem 50% de hipóteses de ter a doença, que já afecta o seu irmão mais velho, de três anos e meio.
A medicina chinesa, explica Nuno Terroia, actua sobretudo ao nível da prevenção. O trabalho médico, durante a gestação, visa o "favorecimento de mãe e filho" e consiste no estímulo do rim. Do ponto de vista da medicina chinesa, este órgão tem, entre as suas funções fisiológicas, a de armazenar a essência da vida e promover o saudável desenvolvimento do feto e a reprodução. "Trata-se de uma bateria de armazenamento energético que vamos fortalecer no feto, através da mãe", explica. O tratamento tem como princípio-base promover o fluxo energético que actua no rim, preparando-o para o desempenho satisfatório das funções, tanto na mãe como no bebé.
Com Bárbara, Nuno Terroia trabalha outros pontos vitais, nomeadamente os que correspondem ao meridiano do coração, para manter a mãe serena durante a gestação: "Basicamente, é relaxar a mãe e promover o seu equilíbrio emocional. Há um grande desgaste da mulher neste processo e é necessário uma compensação energética." O bebé de Bárbara parece ter percebido. Ao longo da sessão "até adormeceu e estava supermexido ao início".
Também a grávida sente os benefícios das sessões: nas duas anteriores gravidezes, as contracções e a dilatação começaram muito cedo. Desta vez, garante, "sinto-me com mais energia e está tudo muito sereno". Ao DN explica a opção: "Informei-me e achei que seria indicado", afirma a arquitecta, cuja proximidade a esta medicina vem da sua avó chinesa. Daí o seu apelido: Yu Belo. Falou das sessões à sua obstetra que, em relação à mãe, "acha bem", mas está "um pouco céptica sobre o bebé, porque sendo um problema genético não é possível prevenir".
Trabalhar o nascimento
Esta prática, explica o médico Pedro Choy, é cada vez mais procurada para "optimizar a gravidez". Ele próprio tem pacientes grávidas e ajudou bebés a nascer recorrendo também à acupunctura no parto. Tendo em conta a sua experiência até como consultor de outros colegas, garante que em Portugal "terá havido uma centena de bebés nascidos com a ajuda da medicina chinesa". Na maioria dos casos, reconhece, serão de familiares dos acupunctures.
No parto, "trabalham-se as contracções e também a dilatação do colo do útero, mas tem de ser em cooperação com os obstetras que acompanham as grávidas", adianta Pedro Choy. Este trabalho durante o nascimento e, sobretudo, o que se faz durante a gestação - que é o apoio da medicina chinesa mais procurado - tornam o parto "mais rápido e natural". Ou seja, "optimizamos as grávidas, de forma a uma expulsão rápida e sem dor".